Como ser um artista: 5 dicas para despertar o que há em você

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Existe um artista dentro de todos nós. E, se você começou a ler este texto sabe muito bem disso. Desenho, pintura, escrita, escultura são todas diferentes linguagens artísticas desenvolvidas com um só objetivo: possibilitar mais pessoas a colocarem a sua marca no mundo.


Você já encontrou a melhor forma de expressar tudo que tem aí dentro?

A gente aposta que você tem muita coisa pra dizer e fazer com esse(a) artista interno. Por isso, vamos direto ao ponto! Aqui vão 5 dicas para você iniciar esse percurso de reconhecimento, sem medo, com mais autonomia, prática e autoconfiança. Mas, é bom deixar bem claro: é um caminho sem volta (porque você não vai querer parar). Que tal?

Dica #1: Descubra o seu mundo artístico olhando para dentro

Primeiramente, vamos definir o que é arte. Assim, você vai dar o primeiro passo rumo a esse encontro mágico.

A arte não tem obrigação com a beleza - algo que é subjetivo, principalmente quando se fala de arte, mas com a expressão de uma ideia ou emoção. E é aí que começamos a caminhada: qual o objetivo de você querer pegar num lápis, pincel, lata de spray, carvão e sair desenhando ou pintando que não seja comunicar o que está na sua mente e coração?

A verdade é que existem milhares de possibilidades quando entendemos que não é sobre a ferramenta (lápis, tinta, argila) ou linguagem (desenho, pintura, escultura): estamos falando sobre autoexpressão. Vik Muniz, artista e fotógrafo brasileiro reconhecido internacionalmente por sua originalidade, tem uma ampla obra usando recursos inusitados como comida, lixo(!), fragmentos, ladrilhos e muito mais para compor suas imagens.

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E, para saber qual é a sua arte, e como você quer desdobrar a sua forma de ver o mundo é preciso autoconhecimento, ou seja, olhe lá no fundo, reconheça suas ideias e emoções.

A expressão artística também está ligada à criança que existe dentro da gente. Quais são as vontades dessa criança? Será que elas estão sendo atendidas? Para ter essas respostas, vale muita coisa:

  • Conversar com seus amigos;
  • Fazer algum tipo de terapia, aquela que melhor se adapta às suas crenças e valores;
  • Retomar antigas fotos e suas lembranças de infância;
  • Buscar histórias de família e amigos da juventude.

Invista também em um tempo sozinho(a), em que você esteja em contato consigo. Esse tempo é fundamental para se encontrar em suas ideias.

Dica #2: Reconheça suas ideias do lado de fora buscando referências 

Quando somos crianças e ainda não aprendemos a falar, começamos a entender a linguagem por meio da imitação. Cada "papai" e "mamãe" dito pela criança é um pouco mais de domínio que temos sobre a língua. Logo, o objetivo não é dominá-la, mas expressar-se por meio dela, certo?

O mesmo acontece quando começamos a dar os primeiros passos para despertarmos nosso artista interno. O que a gente diz é: tenha repertório. Não sem antes passar pela primeira dica, claro. A ideia é que você consiga fazer um recorte das suas referências a partir da sua própria necessidade de expressão.

A busca de referências é como reconhecer algo que já está dentro de você. E isso pode ser muito divertido! Imagine uma cidade com o seu nome: as ruas dessa cidade são todas as referências que você tem. De onde elas vêm e para onde vão?

Participe de grupos têm o mesmo objetivo que você: mostrar seus trabalhos artísticos. Iniciantes em arte têm percursos parecidos quando se fala em busca de referências. Lembre-se: você não está copiando, mas identificando-se e aprendendo com a linguagem do outro.

Não se prenda somente ao tipo de arte com a qual você vai se expressar: leia, assista séries, filmes, aprenda novas habilidades, conheça novas pessoas, com ideias que são diferentes do seu repertório - assim, você aprende por oposição e contraposição.

Uma boa forma de buscar referências de arte que possam conversar com o seu trabalho é seguir artistas em redes sociais e começar a interagir com eles. Geralmente, artistas que gerenciam seus próprios perfis apreciam a interação e gostam de falar sobre seu trabalho.

O Rodrigo Falco, por exemplo, professor do curso Galáxias em Aquarela, Aquarela: Luz e Sombra e Aquarela: Paisagens aqui da Faber-Castell, tem uma presença muito intensa e compartilha com frequência suas artes no Instagram. Vale a pena dar uma olhada.


A ideia é que você conheça novas técnicas e possibilidades para expressar-se. Toda referência é um caminho. 

Dica #3: Como ser um artista: liberte-se da vergonha e mostre ao mundo a que veio

Começar a produzir e não divulgar o que tem produzido é muito mais comum do que você possa imaginar. E mais ainda é achar que é só você que passa por isso. A arte possibilita acesso a um mundo mais interno e íntimo, então, sim: pode ser um pouco assustador.

O crítico de arte e ganhador do prêmio Pulitzer Jerry Saltz, em entrevista à Vulture, afirma que somos todos "muito estranhos, muito selvagens" e diz que gostaria que as pessoas tomassem à frente das situações e fizesse o que têm que fazer (você aí que lê também, sem exceções).

E complementa: "Claro que você vai se envergonhar. E quero que você seja radicalmente vulnerável. Todos temos medo. Esse é o preço para entrar na Casa da Criatividade.", diz ele.

Mostrar-se vulnerável é uma das ferramentas essenciais para entender como ser um artista e como despertá-lo também. A vulnerabilidade é esse lugar que está (bem) longe da perfeição, mas que considera que para entrar em contato, com todas as partes não previsíveis de si mesmo, é um processo de construção.

Um dos grandes nomes do estudo sobre Vulnerabilidade, a pesquisadora Brené Brown, diz em seu livro A coragem de ser imperfeito: "Todos sentimos vergonha. (...) Mas, se não nos reconciliarmos com nossa vergonha, começaremos a acreditar que há algo errado conosco (...). Se quisermos ser pessoas plenas, estar inteiramente conectados com a vida, precisamos ficar vulneráveis. E, para isso, temos que aprender a lidar com a vergonha."

Como dissemos no início: dê espaço mais para suas ideias e menos para a beleza padronizada, quem sabe você não propõe um novo padrão? Ou questiona aqueles já existentes? Está nas suas mãos fazer novas proposições, sem medo.


Uma boa forma de fazer isso é começar desenhando ou pintando as suas ideias, algo sobre você que não seja externo. Leve o tempo necessário para fazê-lo, depois mostre a alguém e peça para que a pessoa diga do que se trata. Observe as reações. Além de começar a quebrar o bloqueio da vergonha, você entende a conexão que sua arte tem com o outro.

Dica #4: Não tem tempo ruim: para ser artista todo dia é dia de praticar

Se você quer dominar uma técnica, pratique! Todo dia. Não tem tempo determinado, mas a prática recorrente vai fazer com que você se torne mais e mais fã da sua arte.

Experimentar técnicas e dominar aquelas que você considera próximas do seu trabalho vai fazer com que você descubra mais ideias e novas formas de expressá-las.


O trabalho árduo é seu melhor amigo enquanto artista.

O escritor Stephen King, autor de grandes sucessos como IT: a obra-prima do medo e À espera de um milagre (que foram adaptados para o cinema) dá a dica em seu livro Sobre a escrita: "Se você quer ser um escritor, existem duas coisas a fazer, acima de todas as outras: ler muito e escrever muito. Que eu saiba não há como fugir dessas duas coisas, não há atalho". Por isso, pratique, comece e recomece quantas vezes forem necessárias.

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Mas, lembre-se: faça por amor ao ofício. A sua arte é a expressão daquilo que você realmente ama e quer dizer ao mundo.

Dica #5: Aprenda com quem sabe: invista em cursos para conhecer técnicas

Bom, se você chegou até aqui, quer dizer que está realmente inclinado(a) a investir nesse caminho para despertar o artista que há aí dentro. Então, a última dica, que pode dar aquela alavancada na sua produção é: invista na sua arte.

Mas, o que significa isso?

Você já olhou para dentro, buscou referências, fez as pazes com a vergonha de se expor e vem trabalhando muito com base no que tem visto. Agora, é hora de aprimorar, ou seja, investir mais tempo e mais recursos, em ser a sua melhor versão naquilo que você se propõe a fazer.

Investir mais no seu caminho artístico é:

  • Adquirir e ler sobre arte e como expressar-se artisticamente;
  • Ter ferramentas que possam entregar o que você precisa (pincéis variados, telas de diversos formatos etc);
  • Fazer cursos que ampliem seus conhecimentos;
  • Se expor ao olhar do outro;
  • Construir uma rede de pessoas para trocar referências com você
  • estar aberto a co-criar.

Muito pode ser aprendido de forma autodidata, mas existem determinadas áreas que nem sempre você está enxergando a rota que o levaria de forma mais rápida a uma solução, e em que um professor, mentor ou tutor pode ajudar você dando o caminho das pedras. Aí, é hora de pesquisar cursos, oficinas e aulas técnicas que possam guiar o seu caminho.

Grandes artistas tiveram em seu caminho a ajuda de professores que compartilharam com eles técnicas e formas de fazer acontecer sua arte. Quem sabe não é o que está faltando para você finalmente expressar tudo que tem aí dentro?

Aqui na Faber-Castell, nossos cursos já ajudaram centenas de artistas em processo de descoberta - crianças e adultos. É uma boa forma de se encontrar como artista.

Lembre-se o artista já está aí dentro: você só precisa abrir caminhos para achá-lo!



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Sábado, 16 Outubro 2021